quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Contos Minimalistas


A Moça, a solidão e sua sorte

Muito mística, embrenhou-se em rituais mágicos esquecidos. Em meio ao mais rotundo desespero, quando soube que era para sempre sua solidão, migrou para a floresta. Numa pequena cabana preparou-se para a hora fatídica, para o dia do alívio, no qual consumação e coragem se conciliariam. Era o dia de pedir permissão à morte para deixar a vida. E assim ela fez - numa manhã de uma luminosidade tão diáfana que parecia que o mundo inteiro era um sonho. Uma leve brisa correu ao redor, folhas fizeram seus ruídos... Contudo a morte lhe negou a vontade. Deixou-a só com suas pedras e horas excessivas. E ela viveu muitos, mas muitos anos ainda. Incapaz de morrer.






PS: Tais contos minimalistas surgem da reunião daquilo que estão chamando de minicontos, ou microcontos. O Twitter é meu pergaminho para experimentá-los... Assim, esses contos muitas vezes surgem aos poucos, desdobrando-se nos dias. Quem quiser vê-los em gestação, pode ir ao Twitter e buscar por josiasgeo...

7 comentários:

Canto da Boca disse...

Fantástico! Isso mesmo, é tão dentro do que os especialistas (?)diriam se tratar de uma "literatura fantástica", e eu recorro logo ao Cortázar, ao Borges, ao Poe, ao Lewis, até mesmo ao Italo Calvino e ao Mia Couto, que tratam todos, com uma habilidade, que li-te e vi-te em todos eles...
;)

Zé da Goma disse...

Muito bom!

Magna Santos disse...

E a moça se casou com a solidão e viveu infeliz para sempre.
Ah, e sem fechar os olhos.
Magna

Luna Freire disse...

Interessante este teu processo... Não creio que eu conseguiria. As palavras só chegam pra mim de sopetão. E se eu lanço delas só um punhado, as outras ficam fazendo cócegas em mim...

Dimas Lins disse...

Eita que o bom e velho poeta está de volta! E fazendo poesia através de contos mínimos, mas de máximas palavras e alcance.

E eu volto ao Inscritos para acompanhar esses poemas disfarçados de contos.

Dimas Lins

Ana disse...

Moça tão lírica assim só você poderia criar, Poeta. Lindo, simples, simplesmente lindo.

Anna disse...

Lindo!
Tive a mesma impressão inicial da Magna, mas com percepção diferente.
"E a moça se casou com a solidão" e viveu feliz em sua "infelicidade", para sempre. Acomodação confortável? Não. Apenas um modo de felicidade diverso do padrão usualmente aceito.

Não sei se falei besteira, mas foram essas minhas impressões.
Parabéns, poeta!
É a primeira vez que venho aqui e fique encantada. Estou te seguindo no twitter!