terça-feira, 2 de junho de 2009

Poema


O pulo do gato


No chão

o gato

às vezes

é caça


Às vezes

é o cão

que força

o salto –

o cão

em sua

raiva atávica


Ao gato

no escuro

resta o pulo

e a segurança

do muro


Mas

quem se guarda

detrás

do muro,

de outro mal

se esquiva

e improvisa

sobre o tal

uma nova

cerca


Com a qual

o gato

em sua fuga -

suspensão

do corpo e da vida -

fará contato


Une

o destino infame:

o medo do dono

do muro

e o medo

do gato

do cão -


E a pele e o arame

no toque,

no choque

que é o fim:

eletrocução

7 comentários:

Luna Freire disse...

Pobre gatinho: morreu do medo!

Jonas disse...

Poesia é ritmo, também. Pensam que é fácil? Bom, não é fáci. Nem todos nascem Pelé ou Garrincha, como não há em toda esquina um Drummond ou um Murilo Mendes. Josias, mais um gol de placa com esse gato humano morto pelo medo de não seguir adiante (apesar das pedras e etc).

Magna Santos disse...

Que maravilha, Josias!Lindo, com um movimento bem mesmo no ritmo do pulo do gato. Chegamos a visualizar o gato, seu pulo, o cão, o muro, a cerca, a eletrocução.
E como este poema se encaixa em tanta coisa... Eu, que adoro metáforas, este bem que poderia servir de reflexão às autoridades que "cuidam" da segurança pública, ou mesmo, a todos nós. Essa região onde os medos se encontram, normalmente pode ser em cima do muro. Lugar este que não podemos ficar, sob pena de sermos - cidadãos comuns - eletrocutados.
Abraço.
Magna

Léo Mariano disse...

oi Josias.

Dei um tempo pro dança. Tempinho de Refresco. Agora escreve devagar em outro blogue, de nome Tresh.http://tresh.blogs.sapo.pt/

Apareça lá, meu bom.Mas jpa aviso é bem devargazinho.

quanto a vc? que sequência depoemas de estourar o peito. Essa do gato está da pontinha da orelha.

Vai já pro reader :D

abs

Ana disse...

"quem se guarda
detrás
do muro,
de outro mal
se esquiva".

Genial, Poeta. Talvez por acaso, é a lição que eu estava precisando agora. Muito obrigada.

Patrícia Coutinho disse...

Muitas vezes ao dia me sinto como o gato: encurralada entre um cão e uma cerca eletríca. Belas palavras!

Dimas Lins disse...

Esse mundo é mesmo cão
O gato encerra a cena
E o leitor, à dura pena,
Assiste a eletrocução

Geó, poeta e exterminador de gatos. hehehe

Dimas