terça-feira, 26 de maio de 2009

Poema


Dísticos de fim de tarde


Neste momento a luz se põe na folhagem

Lembrando que o tangível é uma miragem


O sol outorga o final de mais um dia

E espalha a violácea melancolia


Meus gestos são engodos, meu rosto máscara

Capas a me proteger da vida áspera


Se me esgueiro da rotina que oprime

Ao meu alheamento se imputa um crime


Sou minha sombra animada, ser que se oculta

Insurreto covarde que teme a luta


E se julgo à tristeza passar imune

A solidão me assalta e crava e pune

5 comentários:

Jonas disse...

Taí um poema que, embora preso ao cânone da métrica, petrifica e prende pelo "sentimento pensando", que grita a inescapável condição da falibilidade humana, traduzida na solidão nossa de cada dia e a inevitável crença de que, por mais que façamos, estamos ou estaremos sós. É preciso seguir com sua literatura, Josias. Não podes parar.

Magna Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Magna Santos disse...

Teu poema me fez lembrar dos meus fantasmas interiores...'aqueles que não estão ao redor, que não dá pra espantar com um riso ou um tapinha nas costas'.
Como a sombra diz muito da gente, não?
Muito grata pelas palavras, Josias. Gosto muito desta troca sincera, a única mesmo que acrescenta.
Grande abraço.
Magna
Obs.:também espero que não se importe, mas teus Inscritos também acabam de alojar-se em Sementeiras.

Luna Freire disse...

Já pensaste como a Internet cria uma rede de palavras que ecoam? O Estuário me levou ao Estradar que me levou aos teus Inscritos em Pedra, as Sementeiras juntaram-se a tudo isto e creio... bons frutos saem desta troca. Teu poema é lindo. Voltaste com a bola toda.

Ana disse...

Lembrei do Álvaro de Campos do Desassossego de Pessoa...
"Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu."