quinta-feira, 16 de julho de 2009

Poema


FALSO SONETO DO ABANDONO DO AMOR


Conduzido por Virgílio, Beatriz não encontrei.

Amordacei meus desejos num oco de infernal deserto,

que transformava em longe, o que em si, é de mim, tão perto,

tornando turvo em meu espírito o que de fato procurei.


Não deixei de galgar, à força, palmos de certeza,

concedendo aos vendavais o pano da preciosa veste.

Cerzida com, de Werther a entrega, e a paciência de Penélope,

pondo a perder, assim, a possibilidade da real beleza.


Entreguei-me ao temor crescente do abandono cínico

das ilusões, criando um bestial espaço imaginário,

como num gestual patético de um indiscreto mímico.


Rezem por mim, Senhores! que d´alma gélida arda fogo incendiário;

e que se despregue meu corpo do torpe ritual pantomímico,

pra que não mais traga o coração e sonhos envoltos num sudário.

25. 09. 2003

Um comentário:

Yara disse...

Perfeito! só peço que quando for o dia do lançamento do livro me avise para que eu possa pegar o meu exemplar autografado.
beijo